Olá, Grupo!
Hoje trago uma discussão fundamental sobre uma ferramenta que muitos de nós temos no consultório, mas que talvez estejamos subutilizando no manejo das tendinopatias: a Estimulação Elétrica Neuromuscular (NMES).
Saiu um estudo muito interessante no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy (JOSPT) agora em 2025, liderado pelo Prof. João Luiz Durigan e pela Profa. Karin Silbernagel. O artigo faz uma revisão de escopo sobre como a NMES pode ser uma aliada poderosa para gerar carga nos tendões patelar e de Aquiles, especialmente naquelas fases onde o paciente “trava” por dor ou inibição muscular.
Desenho e Objetivo do Estudo
Trata-se de uma revisão de escopo que analisou 10 estudos (totalizando 166 participantes). O objetivo foi mapear os parâmetros e dosagens utilizados na literatura para carregar os tendões via NMES, além de avaliar se essa contração involuntária (ou associada ao exercício) realmente promove saúde tendínea.
Principais Resultados
Os dados trazem pontos de atenção bem específicos para o nosso rigor científico:
- NMES vs. NMES+: O estudo diferencia a contração puramente involuntária (NMES) daquela sobreposta ao exercício voluntário (NMES+).
- Eficácia Clínica: Em casos de tendinopatia patelar, a NMES+ mostrou-se tão eficaz quanto o Heavy Slow Resistance Training (HSRT), mas com uma vantagem crucial: menor percepção de dor durante a execução.
- Gap de Dosagem: Um achado preocupante é que, embora os parâmetros (frequência e largura de pulso) sejam bem relatados, a dosagem real (torque evocado) raramente é descrita nos estudos.
- Parâmetros Comuns: A maioria dos protocolos utilizou frequências entre 50-100 Hz e larguras de pulso de 200-400 µs, buscando contrações tetânicas vigorosas.
Interpretação e Implicações Clínicas: E daí?
Para você que está no consultório ou no clube, o “e daí” é direto: a NMES não é “choquinho” para analgesia; aqui, ela é ferramenta de carga.
Muitas vezes, em pós-operatórios de reconstrução de LCA (com enxerto de tendão patelar) ou reparos de Aquiles, o paciente apresenta uma inibição muscular artrogênica severa. Ele quer contrair, mas o sistema nervoso não deixa. A NMES entra como um “atalho” para gerar tensão mecânica no tendão sem depender totalmente do drive voluntário, mantendo a homeostase do tecido e prevenindo a atrofia.
Conclusão Reflexiva
Será que estamos deixando de usar a tecnologia a nosso favor por puro preconceito com a eletroterapia “clássica”? A NMES pode ser a ponte que faltava para o seu paciente tolerar a carga necessária.








